11/08/2016

Mesclagem

  A fome avassalava de uma forma indescritível em Will, desejndo singelamente algo para comer. Mas não podia, pois estava numa sala de espera entediante, com uma atmosfera entediante e pessoas que também esperavam por uma consulta entediante. "Merda. Devia ter marcado pra sábado...", pensava Will Manhuntyng, de origem européia; não é difícil observar seus intensos olhos azul-esverdeados. Uma cor tão viva; capaz de chamar atenção de todos os presentes naquèla estúpida e mil vezes infernal sala de espera. "Não tem nada melhor pra fazer do que me encarar, velha bexiguenta?", imaginava Will ao notar uma idosa enrugada fitando-o estranhamente. A cena era, de fato, esquisita. Como era.

- Will Manhuntyng Abstard - chamou a secretária, pronunciando seu nome péssima e curiosamente. Despertou nele uma imensa vontade de correr para àquela coroa e estrangulá-la até seus olhos saírem, mas em vez disso, sorriu. Levantou muito rápido, avançando à passadas largas e ecoantes de encontro à coroa gorda, chamada também de "secretária do consultório".

- Aqui, senhorita... - seus olhos intensos procuraram um crachá - Annabelle.

- Tem consulta marcada, senhor Abstard? - indagou a coroa, inclinando a cabeça.

Will limitou-se a sorrir com um ódio profundo:

- Claro. Se não, por que estaria aqui esperando sete horas sentado nessa droga de estabelecimento, madame? - Seu tom foi forçado, rápido e cortês, apesar de ter deixado transparecer a fúria.

- Oh.. - riu a velha -, sinto muito, senhor. Nosso estabelecimento é um dos melhores do país, senhor... Abstard - pronunciou seu sobrenome de maneira bárbara, soando grave -, posso te chamar de Will? - e sorriu.

"Era só o que faltava".

- O assunto que vou conversar é urgente, senhora. Talvez outra hora...

- Outra hora - concluiu a secretária, apoiando o queixo numa das mãos gordas. "Como odeio ser educado", pensava, enquanto longas passadas eram dadas.  Quanto mais longe daquela secretária, melhor.

  Chegou numa porta incomum; parecia mais robusta que as outras. Havia um aspecto majestoso nela quando viu alocado o nome "Robert Stranghs" escrito em itálico, dourado. "Os anos não envelheceram esse idiota", pensou, sorrindo como se se boas lembranças serpenteassem sua cabeça. "Calma. Ele não será o mesmo, Will. Não será". Respirou fundo, encheu o peito, ajeitou a gravata bege e foi. A porta abriu-se num "click" quase sussurrante.

- Não mudou nada, Robert - disse Wil.

  Mas, em vez de ser bem recebido, seu prêmio foi uma carranca de desdém. Robert Stranghs era pesado e corpulento, mostrado num terno elegante e sofisticado; formal demais, pareceu à Wil. Não lembrava de tê-lo visto sem barba, mas via agora. Parecia ocupado, mexendo com papelada, escrevendo e assinando.

- Tem hora marcada? - Não fitou Wil uma única vez além da recebida ao entrar.

- Vim para um propósito, Robert. Não brinco no que digo. Nunca brinquei.

- Ah, jura? - entoou sua voz grossa à Wil -, que pena. Seria melhor se nunca fosse - Levantou a cabeça, olhando para o mesmo. Sua face resplandeceu num largo sorriso amarelo. - É assim que trata um velho amigo!? Venha, Willy, e me dê um abraço daqules bem fortes!!

  Isso, definitivamente, não era para ter acontecido.

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