04/12/2016

Veemência

    Expectativas? Inexistentes. O chamar incessante das chamas faziam-me vibrar; acalentar uma dor à muito passada. Vergonha. Desprazer. Medo. Meros palavreados se assimilados às sensações pulsantes no âmago de minha vaidade. Interior.
    Houve um desencadear. Um mar de sentires eletrizantes, porém cálidos e monocórdios. Meu fim culminou em fracasso.
    Nada bastava para calar este sofrer. Virava enlouquecedor. Enfadonho. Fazia-me desacreditar nos princípios à mim enfurnados num esgarçar de cólera. Num simples piscar. Não dava pra parar de imaginar.
    Cedi às tentações. Por que será? O nojo brota assim, num mero entonar.
    Estou confuso. Inseguro. Pertinente ao mal que assola minha existência.  Fará você algo para me ludibriar? Não aguento. Quero chorar.
    Percebo a inutilidade da arte. Sempre fora evidente aos pés de meus olhos. Não demorei aperceber.
    Ilusão. Não há paixão que me apraz. A mesma é pura e simples.
Vai.
Volta.
    Lamúrias. Beber com o olhar. Apreciar. Afundá-los no lago do viver.
    Contemplar. Muito devido. Confusão. Não é doce a alusão.
    Comédia. Todos seguem a ação. E no pico do cume incólume, encontram-se verdades. Turbulências desmitificadas ao ato verbal.
    Sim. A vida não faz o menor dos sentidos. O mundo. Pessoas. Que pensa que elas são?
    Desejo. Sempre fora o meu dissimular. Profundo. Belo e ímpar. Limitados pela compreensão. Tanto quanto a visão.

    Tudo no linear da aceitação.

Odeio-te.
Amo-te.
Adoro-te.

    Declaração. Um lado. Outro. Vigente nomeação.
Perjura-te na alma, aberração. Pois quero-te e abomino-te. Alucinação.

    "Por favor, me veja". "Por favor, me entenda". "Por favor, se surpreenda!".

    Tudo idiota. Tudo danoso. Tudo ilusão.

   

21/10/2016

Uma Faceta entre Multidões

  Èra estranho afirmar. Sua boca seca de nada; transeuntes numa dança passadelicamente monocórdia e tediosa; a vida passando diante de seus olhos como um trem em câmera lenta. Não importava quão longo o era, a certeza de seu término inalava o doce cheiro do inevitável. Ah, e como odiava o inevitável. Repudiava-o com toda a educação inserida ao longo da vida.


Como odiava.

20/10/2016

Dahvinci

  Chegou um dia no qual todos esperavam. Era o aniversário de Dahvinci, um dos mestres magistrais vigentes lá em Pastolago. E, como não era de se esperar, muitos vieram a cerimônia ('festa' não tinha muita apropriação para o caso) e trajaram suas melhores roupas. Não demorou muito para o salão quatro-paredes exageradamente grande e lustroso encher-se como a barriga de um gordo faminto.

  Mas. Algo aconteceu. Um estrondar súbito de porta rangendo o chão. Tudo se calou. O burburinho dos convidados, todos solenes e falantes (como qualquer festança da nobreza) fora rapidamente substituído pela tensão, quase palpável, irremediada de um ar silencial perturbador. Talvez você não compreenda o porquê. Bem, não estou com vontade de dizer.

  O sujeito que irrompeu a música e os fragores tinha uma altura considerável, embora nada ameaçadora, beirando os 1, 72. Dirigiu-se ao público de maneira bastante displicente considerando o patamar da comemoração. E, ajustando a gravata, falou:

- Eu sou Dahvinci, e ergui dos mortos...

  E o barulho recomeçou. Apesar de lá estar, vivo em pessoa, não deram a devida atenção.

  E assim termina a história incrivelmente tediosa de... vocês sabem.


18/10/2016

O Desconhecido

  Um garoto bocejava. Ao lado dele, postava-se outro completamente diferente.

  Eis a questão: 

  Mmmmmmmm....

17/10/2016

Brincadeiras

Ninguém gosta de brincar.
No fim das contas, criamos nossa verdade.
Ah, o mundo é ideal para brincadeiras.

16/10/2016

Confusão Nominal

"Riem de mim à verdade do dizer. Troçam de mim ao querê-las esclarecer. Heh. Depois me chamam de louco.

Olham para mim, como um anormal. Crianças, afinal. Que dirá seus pais ao vê-las, ignorantes como o são? Nada. Nada. Nada. Não suporto-os desde então.

Rude. Arrogante. Perturbado. Não me incomoda ser eu estranhado.

A máscara cai-se em mil frangalhos. Não sei o que dizer. Quero meu refúgio. Me esconder.

Doente. Débil. Diferente. Ninguém entende meu alvorecer. Quero gritar. Delirar. Gargalhar. Qual o problema? Deixe-me transparecer.

Mas algo limita-me. Uma parede. Muro de castelo; sem princesas para salvar; sem dragões para montar; sem nada para voar. Tudo é errado. Pernas pro ar.

Em beleza não há preço. Interessante questionar. Pergunte-me o quê é belo, e te direi: "Observar."

Ah!, como é doce essa ilusão.
Viver é se iludir. Acredita?

Tenho certeza que não."